Um pouco de quem sou

História pessoal

Nasci entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, em Duque de Caxias, mais especificamente num acidente no km 110 da rodovia Washington Luiz. Minha mãe, que na época tinha 44 anos, estava grávida de mim, tinha outros 8 filhos e já era avó. Ela foi atropelada por 2 carros na estrada e morreu na hora. Graças às ferragens dos carros que provocaram um corte em seu ventre, eu sobrevivi. Nasci no asfalto e fui contra as estatísticas já no primeiro momento de vida.

Fui criada com muita luta por meus tios, que também já tinham seus filhos, no Bairro de Fátima, centro do Rio. Aos cinco anos, meu tio morre e fica por conta da minha tia a sobrevivência de todas as crianças. Passamos a viver no bairro do Estácio, também no Rio de Janeiro. E foi nessa época, por volta dos 5 anos de idade, que comecei a me relacionar com Petrópolis. Um tio querido e presente na minha vida, morava em Petrópolis, e eu passei a visitá-lo com frequência, já criando laços de afeto com esse lugar. Aos 13 anos, perco minha tia para um câncer de mama e passo a sobreviver com a ajuda dos meus irmãos mais velhos e meu tio de Petrópolis.

Entrada para o movimento
estudantil e político

Na adolescência, me aproximei da política através do movimento estudantil. Participei de inúmeras mobilizações e discussões importantes, o que me fez perceber desde cedo que nós, mulheres pretas, povo preto, periférico e trabalhador, precisamos nos unir, porque somos desconsiderados das políticas públicas e deixados de lado pelos governantes.

Aos 18 anos, me mudei para Petrópolis, comecei a morar na casa de um  tio querido definitivamente. Na cidade, tive a oportunidade de fazer faculdade e contrariando as estatísticas novamente, me tornei advogada.

Trabalhei no Procon e no projeto Transforma Petrópolis, onde entendi a importância da nossa participação pra realização de mudanças na sociedade. Trabalhei como voluntária no Centro de referência e atendimento à mulher, o CRAM. Lá conheci de perto a realidade de várias petropolitanas e pude me aprofundar nos direitos das mulheres e no acesso delas à segurança e à cidade, principalmente para nós, mulheres negras.

Mudança para Petrópolis

e ingresso na faculdade

Atuações políticas

Voltei a me organizar politicamente e participei de vários movimentos sociais e artísticos, sempre engajada com o movimento negro e a luta pelo direito das mulheres em Petrópolis.

Em 2017, construí com outras duas mulheres negras, o SLAM liberdade, movimento artístico e urbano de Petrópolis, que movimenta a cena de artistas periféricos de toda a região.

Também em 2017, contribuí na construção da primeira marcha das mulheres na cidade, o 8M.

Em 2018, depois da morte de Marielle Franco, passei a me organizar no Fórum Estadual de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro, onde minha atuação é voltada principalmente para grupos de trabalho de juventude e de direitos humanos.

Colaborei com a organização do “Eu voto nas Pretas”, movimento entre vários partidos que fomentou a visibilidade de candidatas pretas e periféricas com agendas voltadas para a população negra.

Em 2019, trabalhei como assistente de apoio à Comissão da Criança e do Adolescente na Câmara Municipal de Petrópolis, o que me fez entender de forma mais profunda como funciona a máquina pública e os mecanismos do sistema de elaboração de leis e organização do Município.

Precisamos levar nossa luta e nossa história pra dentro dos espaços institucionais dessa cidade, porque são nesses espaços que as decisões que atingem as nossas vidas são tomadas.